Quando eu afundava a mão n’água da piscina e a via, submersa, deformada, trêmula, os dedos todos disformes, eu não entendia. Não só não entendia: eu temia.

Era como se a minha própria mão se transformasse em outra coisa, e eu a puxava de volta para a superfície, ficando aliviado ao perceber que a minha mão estava, outra vez, normal.

Só depois entendi: os efeitos da refração, o movimento das ondas.

Só depois, muito depois, entendi: entre o que vemos e o que realmente é há um gap nem sempre transponível.

Os espelhos traduzem reflexos, mas às vezes a própria imagem refletida, como a minha mão infantil sob a água, afasta-se totalmente do objeto representado.

Certas distâncias, muito depois eu entendi, não se percorrem com as pernas.

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