Gabriel Schincariol Cavalcante
1 min readFeb 2, 2023

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Bom texto. Existe um comportamento intencional, especialmente nas elites conservadoras, de apontar condutas individuais como causa de problemas sociais e - e eu também não falo pelos marxistas, mas por mim e pela noção que construí a partir dos meus estudos sobre Marx, com as relações entre infraestrutura e superestrutura - parte da esquerda acolhe esse comportamento, reproduzindo o discurso conservador sob a roupagem socialista/comunista.

Ter itens considerados de luxo - que, na maior parte das vezes, não são de luxo, mas restritivamente caros, como você já apontou - passa a ser visto como comportamento incoerente perante as crenças do indivíduo. Mas não é. O indivíduo, inserido no espectro ideológico da sociedade em que vive, não precisa se apartar dos avanços tecnológicos, para ficar no exemplo de computadores ou celulares, para ser um militante de esquerda. A briga é contra o modelo econômico de exploração capitalista e não contra a inovação.

O Eagleton argumenta, em As ilusões do pós-modernismo, que o objetivo do socialismo é justamente "moldar uma sociedade em que não teríamos mais de justificar nossas atividades diante do tribunal da utilidade", e que essa realização é ela própria o "valor moral absoluto" para Marx.

Não é uma condenação abstrata a aquisição de bens, porque o socialismo não julga antiéticas as estruturas sociais mais comunitárias e a pluralidade de bens pessoais (1998, p. 85).

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