A ÁRVORE INVISÍVEL

Gabriel Schincariol Cavalcante
13 min readJun 29, 2019

O tempo se estende feito um infinito tecido em que cada um, no mesmo instante, colore o seu bocado, ainda que inimaginavelmente distantes entre si eles compartilham esse tecido, o único tecido que há, o único que há de haver, e neles suas vidas se desenrolam quase sempre sem se tocarem, porque o tempo, tecido infinito que há, comporta em si uma enormidade de tamanho, possibilitando que se viva toda uma vida sem que duas histórias se encontrem. Elas se encontrarem, portanto, é quase como que um milagre, ainda que não divino ou premeditado pelas mãos de Deus, mas um milagre cotidiano do tempo que, por ser cotidiano, passa desapercebido na maior parte das vezes.

O tempo é o primeiro e o último democrata.

O tempo abarca o tudo e o tempo abarca o nada: o que se vê, o que não se vê, o que não se pode ver.

Como a árvore que cai naquela floresta muito distante de nós, do outro lado do globo, e cai solitária, fazendo só com que os pássaros voem, e sua queda por nós não é notada, e sua queda por ninguém é notada, tirando os pássaros que voam assustados, mas aos pássaros não é dado o privilégio do registro da memória, então eles são descartados, e essa árvore que cai é feito uma árvore que não existe, porque para ninguém ela um dia existiu e um dia caiu.

Ainda assim.

Ainda assim essa árvore um dia existiu e um dia ela caiu.

Distante de nós, longe dos nossos olhos, dos nossos ouvidos.

No tempo em que vivemos.

No infinito tecido.

O que nós não vemos não deixa de existir.

O que nós não vivemos não deixa de existir.

Nós vivemos tudo: nós só não sabemos que vivemos. O tempo está aí e se a árvore caiu enquanto nós estamos vivos, nós vivemos a queda da árvore. A história acontece o tempo todo.

O que sabemos da vida é o nada.

Por isso muita coisa aconteceu antes do encontro entre os dois ao lado do viaduto sob a luz fraca e amarela do único poste ainda aceso. Muita coisa aconteceu no tempo compartilhado entre eles na infinita distância do desconhecimento. Bang bang. Muita coisa aconteceu até a luz fraca e amarela receber o brilho da pólvora queimada. Bang bang. Muita coisa aconteceu do nascimento ao sange escorrendo do pescoço pelo peito e pela barriga até aquele ponto, aquele pontinho, só aquele pontinho fazer assim no tecido do tempo:

puf.

E a sua existência foi obliterada de todo o futuro.

Um homem era mais velho do que o outro. Ao mesmo tempo em que um tinha dezesseis anos o outro tinha nove.

Aos dezesseis anos ele ia andando para a escola e voltava andando da escola e ao chegar em casa não encontrava nem a mãe, nem o pai, mas só a empregada, a quem chamava de tia há muito tempo, desde a meninice, e a empregada respondia Oi, fio, e servia a comida, e a mãe chegava tarde e o pai ainda mais tarde, porque os dois trabalhavam muito um para pagar a escola dois para pagar o plano de saúde três para pagar o aluguel e quatro para pagar a tia, que só se fazia necessária pelos dois trabalharem tanto desde sempre, e ele, com o rosto marcado de espinha, comia e tomava o roacutan e depois ia para o quarto dormir um pouco e depois acordar e sentir ódio dos pais e ver revistas pornográficas e limpar o pau lambuzado na toalha da mãe só de sacanagem e depois assistir tv e depois dar tchau para a tia, que respondia Tchau, fio, e esperar emburrado a mãe, depois o pai chegarem.

Aos nove ele não ia mais para a escola. Nem andando, nem de ônibus, nem de nada. Não dava para ir andando porque a escola era do outro lado da cidade, não dava para ir de ônibus porque o ônibus tinha parado de passar. Ele ficava em casa, que não era mesmo casa era um pouco de concreto e um pouco de maneira que mais ou menos impedia a chuva de entrar, ao lado da avó que fazia doce caseiro, e quando ficava pronto ele pegava os doces, ele e a irmãzinha de quatro anos, e descia às ruelas vendendo para os vizinhos até chegar no bairro e vender para os homens e mulheres que passavam por ali, e os vizinhos falavam Hoje não, menor, dando risada, e os homens e mulheres do bairro falavam Sai fora, pivete do caralho, e ele voltava com alguns trocados no bolso, os doces que sobravam em uma mão e a irmãzinha sendo puxada pela outra. A vó descia a porrada nele quando não vendia todos e ele nunca vendia todos. Ninguém queria os doces. Quem comprava era por piedade. A vó era uma cozinheira de merda. Mas era o dinheiro dos doces que botava comida na mesa, ela repetia, dando porrada no menino de nove anos, e a irmãzinha chorava, e a vó perguntava Quer levar também?, e ela só chorava e ele repetia Não, não, não. A mãe e o pai não chegavam nunca, nem cedo, nem tarde. Ela estava presa há três anos. Dele nada se sabe.

Punheta vendo as revistas do pai e a caixa de doces na mão. Ao mesmo tempo. No mesmo mundo.

Em mundos diferentes.

Ao mesmo tempo em que uma mulher de trinta e dois anos passava as compras dos clientes no caixa e repetia bom dia cpf na nota crédito ou débito obrigado boa tarde cpf na nota tem dez centavos durante todo o dia para chegar em casa e não encontrar ninguém. O silêncio era ótimo para ela estudar pro próximo concurso que ia abrir e assim ela esquecia de chorar.

No tecido infinito.

Quando ele se formou aos vinte e um teve a primeira crise nervosa que o colocou em um hospital e o médico disse É melhor ir pra ala psiquiátrica, mas o enfermeiro, rápido e experiente, apontou para o nome do pai dele na ficha e o médico disse Puta merda. Ele estava na cama quando o pai apareceu e perguntou o que tinha acontecido, e ele só balançou a cabeça sem dizer nada, só balançou a cabeça. O pai saiu do quarto e ele não ouviu o que o pai e o médico conversaram, mas ele não ouvir não quer dizer nada. Tudo é vivido. De nada se sabe. O pai disse para o médico Eu já esperava e o médico disse Por quê? e o pai disse Minha esposa se matou faz dois anos e o médico abriu os olhos e, profissional, não disse sinto muito, primeiro por que não sentia, segundo por que não importava, e disse Diagnóstico? e o pai disse Transtorno bipolar ou algo assim e aí começou uma frescurada de depressão e um dia ela tomou tudo o que tinha de comprido e morreu e o médico disse E o menino já apresentou algum sintoma parecido? e o pai disse Não sei dizer. Essa resposta, não sei dizer, diz muito em si.

Aos quatorze ele não vendia mais doce da vó, que agora não andava e mal falava depois do segundo derrame, ele limpava a boca da velha com um lencinho e trocava a fralda quando precisava e servia sopa duas vezes no dia, antes de levar a irmã para a escola e antes de buscar. Abriram uma nova escola na comunidade. A menina podia ir a pé. Ele sempre acompanhava. Ficava quieto a maior parte do tempo, foi assim que conseguiu sustento, na porta da casa que mal era casa ficavam os moleques jogando bola e um deles, mais velho com um palhaço tatuado no braço, sempre chamava o vendedor de doces para jogar também, e ele agradecia e dizia que não podia, segurando forte a mão da menininha. Não foi jogar, mas ficou por perto, ouvindo, e o moleque mais velho o tratava bem, com respeito, e ele pensava no que sentia pela avó e no que sentia pelo moleque. Medo e admiração. Você completa qual em relação a quem. A mãe foi solta, mas não voltou, apareceu duas vezes. Do pai continua não se sabendo. O moleque ensinou o corre para ele e ele, quieto, no silêncio seu trunfo, aprendeu. Não durou para sempre. Estava com a fralda cheia de merda na mão quando o PM meteu o pé no pedaço de ferro que servia de porta e quase derrubou a parede inteira. Ele foi levado para a fundação e a irmã ficou esperando, sozinha, até anoitecer na porta da escola. Demorou seis horas para um assistente social aparecer.

Ela completava a primeira semana no trabalho e repetia para si que estava gostando. Estava gostando sim. Gostando muito. Tudo o que ela sempre sonhara, um concurso público, uma garantia pro resto da vida. Não entendia o que estava fazendo, mas se tinha passado na prova era por que ela tinha capacidade. Era só questão de tempo. Aos trinta e sete é difícil recomeçar. A casa continuava vazia quando o expediente terminava.

Tudo acontecendo ao mesmo tempo, enquanto o tempo passa. Distante entre si. No mesmo segundo. No mesmo instante.

Tudo invisível um para o outro.

No infinito tecido.

Aos vinte e quatro ele tomava regularmente oito remédios diferentes só para sair da cama de manhã. Sair da cama e ir para a sala e fugir antes que o pai voltasse. O plano de ir embora não se concretizou. Trabalhava algumas horas para um conhecido do pai. Trabalhar é modo de dizer. Queria ir embora, não conseguia. Sentia um medo tremendo. O tempo fora de casa fazia os ossos tremerem e o maxilar travar. Mais tempo dentro do que fora e o tempo todo com medo. Nem sabia quando tinha começado a sentir medo. Não sabia o que era não sentir medo. Pela primeira vez passou a corda que escondia embaixo da cama no ventilador e a ficou encarando por duas horas, até a tia chamar. Vem, fio. Salvo pelo gongo.

Na segunda vez, aos dezessete, não foi parar na mesma unidade, porque era reincidente e o ato infracional mais grave, roubo, mão armada, ainda que a arma fosse de brinquedo. Agora era uma unidade pro que havia de pior. Para aqueles com tatuagem de palhaço no braço. Só que foi igual com os moleques jogando bola na rua, bico calado e cabeça baixa e tudo corria mais ou menos bem, os que tinham palhaço no braço o tratavam direito. Deu uma surra no banheiro em um jack. Não pediram para ele dar, foi por vontade própria. Foi tratado ainda melhor. Sentiu vontade de matar o jack, mas não matou. Não saberia dizer a razão, não, só que chegou no momento fatal e ele parou de bater, a boca do tarado arrebentada e o olho fechado de tão inchado. O jack tinha passado o pinto na filha de três meses da madrasta. Várias vezes. A câmera que colocaram que pegou. Foi parar na fundação direto e a notícia correu. Ele lembrou da irmã e da vó perguntando Quer levar também? Por isso encheu o jack de soco. Por isso chutou a cabeça do jack. Por isso queria matar o jack, mas não sabe por que não matou. Porque a irmã estava agora sozinha no abrigo que eles tinham, depois de muito brigar, conseguido para ficarem juntos. Espancou o jack por não ter como se espancar. Quando a juíza entrou na salinha o cheiro do perfume dela se misturou com o cheiro da fundação, que é um só, o cheiro de suor seco. O cheiro contínuo de suor. O cheiro indelével do suor. Ela começou a perguntar E a comida? Boa, senhora. E as camas? Boa, senhora. E as roupas? Boa, senhora. E as aulas? Boa, senhora. Ela perguntava e um rapazote de óculos anotava todas as respostas. Então tá tudo bem? Tudo bem, senhora. Tá melhor aqui dentro do que lá fora. Ele não riu da piada. O rapazote de óculos riu.

A chefia foi o presente dos quarenta. Ela chorou de alegria ao receber a notícia da coordenadora, que a abraçou. O chefe antigo aposentou e ela foi a escolhida. Comemorou, abraçando todo mundo, que, a cada abraço, dava os parabéns pela conquista. A verdade é que se sentia em casa, naquele lugar cheio de gente. Aprendeu a se sentir. Trabalhava dez horas todos os dias. Como é dedicada, a coordenadora comentou com o antigo chefe antes da aposentadoria. A dedicação era a máscara do medo de voltar para o vazio. Não importava. Estava tão feliz. Foi para o banheiro lavar o rosto e sentiu a bexiga apertar. Entrou no boxe e ainda sorria, com a calcinha no meio das pernas. A porta do banheiro se abriu e ouviu o barulho plop plop plop do salto. A voz falando ao telefone Você não acredita, pois é, escolheram, e ela reconheceu a voz como a da colega que sentava ao seu lado e estava lá há dez anos. Dez anos aqui e escolhem essa gorda ridícula que mal chegou para a chefia, eles tem mais é que se foder mesmo, a voz disse. Ela era a gorda ridícula. A gorda ridícula que ria sentada na privada com a calcinha entre as pernas. A gorda ridícula que tinha seu nome enviado pela diretoria ao tribunal como possível jurada, porque era idônea. A gorda ridícula e sozinha. A gorda ridícula que chorava outra vez. A gorda ridícula que voltando distraída no final do dia não percebeu o movimento atrás dela que logo se transformou em um vulto que logo se transformou em uma mão que logo puxou sua bolsa e a empurrou, fazendo com que ela ficasse lá, caída de quatro feito uma vaca, enquanto a silhueta se afastava levando consigo a bolsa.

O tempo é um só. A árvore que cai sozinha. A conversa que ninguém deve ouvir.

Aos trinta o seu apartamento studio perto do metrô era feito uma fortaleza com cada item em seu lugar. A rotina servia como escudo, como proteção para o que os remédios não eram capazes de manter do lado de fora. Acordar as seis e tomar os comprimidos e correr oito km e tomar banho e tomar café e ir para o escritório e trabalhar quatro horas parar uma para comer e tomar os comprimidos e trabalhar mais quatro horas voltar para casa trocar de roupa tomar os comprimidos e ir para a academia treinar duas horas e voltar com os fones de ouvido para tomar banho ler um pouco ver tv tomar os comprimidos e dormir.

Isso é, nos dias normais.

Esse quase foi um dia normal.

Até a volta para casa.

Bang bang.

O tempo é um tecido infinito. É difícil, mas vez ou outra duas retas se cruzam.

Vinte três não é mais idade de fundação e pro sistema ele já tinha ido uma vez depois de ser desinternado compulsoriamente. Não via a irmã desde então, que foi acolhida por uma família evangélica famosa por ir aos abrigos conversar com as crianças. A última coisa que ouviu dela foi Não quero ir, depois nunca mais, só uma mensagem há um ou dois anos, não tinha nem duas linhas, só esclarecia que ela estava bem e mais nada. Uma mensagem acompanhada de uma foto. Ela com uma blusa branca, o cabelo solto e molhado ao lado do pastor. Não sorria. Tá tudo bem. Fim. Passou o dia pensando no que fazer no barraco sem luz. Comeu o pão que a vizinha deixou, pegou o trêsoitão na mochila, meteu na bermuda e saiu quando o sol começou a cair por trás das construções maltrapilhas. Foi caminhando dali até lá, com um moletom largo e torcendo, mesmo sem saber, do mesmo jeito que algo disse Não mata quando ele espancava o jack, para, a cada viatura que passava, ser parado, ser revistado, ser preso por causa do cano na cintura e o papelote no bolso. Não era seu dia de sorte. Dim, dim, dim, mais uma vez. O tempo se estende para todos nós. Foi caminhando. Chegou perto do viaduto, viu a passagem escura e a única luz amarela acesa. Academia de boy ali perto. Ficou encostado na parede longe da luz, não dava nem para ver. Acendeu um e fumou. Passou um casal. Acenou com a cabeça. A moça ignorou, o rapaz cumprimentou. Engoliu em seco por causa da maconha, sentia fome e não era só larica. Era miséria. Viu o homem vindo com fone de ouvido. Viu o homem chegando embaixo da luz amarela. Saiu da luz. Anunciou com o tresoitão na mão. O homem reagiu e ele puxou o gatilho. Click. Nada no tambor. O homem puxou a arma da sua mão, era forte, duro, a arma cedeu. Click. Nada no tambor outra vez. A arma caiu no chão.

O tempo é um infinito tecido. Às vezes pode parecer que ele parou, mas não parou.

Ele nunca se moveu.

A árvore está caindo. O intervalo entre se abaixar para apertar a arma e puxar o gatilho é muito curto. A árvore ainda está caindo.

Bang bang.

A mão na frente do rosto.

Bang bang.

Não falhou mais. O sangue escorrendo e manchando o tecido do tempo. Abrindo um buraco. Obliterando a existência.

Puf.

Sumiu.

Obliterado.

Ela aos quarenta e seis estava tomando café à noite, o que era ruim para o seu estômago e o médico havia proibido, porque piorava a gastrite e também a ansiedade. Mas a ansiedade dava vontade de tomar café. E o café piorava a ansiedade. Pensava na antiga colega que era vizinha e agora era subordinada. Três avaliações negativas seguidas, processo administrativo aberto e ela se sentia culpada. As avaliações eram sinceras. Ainda assim.

O tecido se estica tanto que parece que vai se romper.

Obliterar tudo.

Mas não se rompe. E ela toma mais um gole de café e corre para o banheiro vomitar.

Ele sentia tremores e não dormia quase nada. Só queria que o dia chegasse logo.

Ela, enquanto isso, ao mesmo tempo, cidadã idônea, no seu espaço do tecido, recebia a convocação para o júri. A gastrite havia evoluído.

O pai manteve os dedos cruzados sobre o colo o tempo todo.

A irmãzinha, de cabelo preso, calça jeans e camiseta, queria rezar, mas não conseguia.

Duas retas às vezes se cruzam. A colisão às vezes é fatal.

O tecido é infinito e comporta tudo. Menos o passado. Menos o futuro.

Ela ouviu atenta ao juiz enquanto os quesitos eram lidos. Na sala secreta, pensou no vídeo em que se vê um homem com a mão cobrindo o rosto e o outro dando dois tiros. Depois, caído, o homem recebe outros dois tiros. O homem que está em pé segura a arma bem firme. A luz da imagem é péssima.

Legítima defesa, legítima defesa, legítima defesa, foi o que o advogado repetiu sem parar para os jurados. Ela não sabia se riscava sim ou não. Os dois homens parados. Depois o homem caído. Sim ou não. Sim ou não.

O juiz leu os quatro primeiros cartões. Não, não, não, não. Absolvido. Parou a leitura. Declarou a absolvição. O pai se levantou e perguntou se poderia se aproximar. O juiz permitiu. A irmã queria rezar, mas não conseguia. Chorou. Quer levar também? E podia bem ouvir o irmão dizendo Não, não, não, entrando na sua frente.

Bang.

Bang.

Bang.

Bang.

Um buraquinho no tecido. Remendado em seguida.

O pai cumprimenta o filho, que é, outra vez, um homem livre. A irmã caminha para o lado de fora. A mulher se justifica, para ela própria, para a voz na sua cabeça, dizendo que quando tomaram a sua bolsa ela também quis ter uma arma para matar o vagabundo. Mas só na hora. Agora sente o estômago queimar.

O tempo é um tecido infinito que se estende para que todos nós possamos viver. No mesmo instante. Ao mesmo tempo.

Essa história foi escrita em preto e branco e essas são as únicas duas cores que você precisa conhecer.

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